Existem dois tipos de documentários que eu procuro assistir, sendo eles: aqueles que eu sei relativamente alguma coisa sobre o assunto e estou procurando me informar um pouco mais e; aqueles que eu não sei absolutamente nada daquele assunto e o documentário vai ser meu primeiro contato com aquele tema. Eu não sei tanta coisa sobre dança, na verdade, acho que só devo saber que existem diferentes gêneros musicais, diferentes tipos de danças e que cada um desses tipos e gêneros tem uma especificidade própria, tanto de movimentos quanto de história. Se encaixando nesse segundo tipo que eu comentei, assisti “Danças Negras”, documentário de João Nascimento e Firmino Pitanga que discute a presença negra na cultura e como ela se manifesta através dos variados tipos de dança.
Um dos pontos mais interessantes deste documentário foi o de mostrar a história e a importância da dança e de pessoas negras para a construção de um estudo e da disciplina de dança da UFBA. Entender como se deu o entendimento do estudo acadêmico sobre o assunto, de se estudar e de se pensar cientificamente as danças negras. Observar a construção do pensamento acadêmico sobre o assunto e de como ele conseguiu o espaço dentro da academia é algo impressionante e até esperançoso, principalmente para quem vê as instituições acadêmicas como lugares engessados e com poucas possibilidades de inovação, o que, ironicamente, é o oposto do que um espaço acadêmico deveria ser.
“Danças Negras” é um documento histórico sobre um tempo e uma manifestação artística, mas não só, é também um registro do livre pensar e de como as pesquisas e instituições podem contribuir democraticamente para o avanço das teorias e estudos desses campos.